Como ficam os investimentos com a taxa Selic a 3%?

Menor índice histórico da Selic pode aumentar a concessão de créditos de famílias endividadas, porém, preocupa investidores, que buscam maiores retornos para o capital aplicado

No atual cenário causado pela pandemia, as incertezas sobre o presente e os próximos meses são tão fortes quanto o temor da morte. Ainda não é possível dimensionar com precisão os efeitos da COVID-19, que até o dia 11 de maio já havia provocado mais de 286 mil óbitos e infectados mais de 4,1 milhões de pessoas.

A insegurança é vista em todos os setores, desde a saúde pública e a política até a economia. Além do aumento do desemprego em escala global e a queda do Produto Interno Bruto (PIB) dos países afetados pela pandemia, a incerteza sobre novos investimentos é outra preocupação de economistas e investidores hoje.

No dia 6 de maio, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central brasileiro anunciou uma queda de 0,75 ponto percentual na taxa Selic — índice que registra todas as operações referentes aos títulos escriturais do Tesouro Nacional.

Na prática, a Selic é a taxa básica de juros no país, sendo uma das ferramentas usadas pelo governo federal para controlar a inflação. A alta ou a queda dos juros tem impacto direto sobre o consumo das famílias, as aplicações financeiras e a concessão de créditos por bancos.

Histórico da queda da Selic

O Brasil é conhecido por ser um dos países com a maior taxa de juros do planeta. Contanto, desde outubro de 2016, a Selic vem sofrendo cortes pelo Banco Central. Até maio de 2018, a Selic sofreu 12 cortes sequenciais, caindo de 14,25% para 6,5%. A Selic iniciou 2020 com um valor de 4,25% e sofreu novos cortes até o atual de 3% — o menor de sua história.

De modo geral, o BC sobe a Selic quando a inflação está alta, a fim de reduzir o consumo das famílias e, assim, forçar a queda dos preços. Com uma inflação baixa, o BC reduz a Selic, para estimular o consumo.

Assim, com o menor nível de sua história, a atual Selic pode ter efeito positivo para as famílias que pedem crédito emprestado, já que os juros reduzidos facilitam o pagamento da dívida.

Contudo, para investidores, a atual Selic é motivo de preocupação, já que isso traduz menor rentabilidade de investimentos. Na atual pandemia, ficou ainda mais difícil buscar aplicações com retornos não só confiáveis, mas, também, atrativos.

Fuga de capitais

Com o objetivo de manter o lucro dos investimentos, uma das alternativas mais usadas é a destinação de capitais para países do exterior. O temor sobre os impactos ainda imprevisíveis da COVID-19 no Brasil, que, além da pandemia, enfrenta uma grave crise política, também desencoraja investidores, que acabam preferindo manter dinheiro em caixa para não sair no prejuízo.

Quem possui investimentos em Certificado de Depósito Interbancário (CDI), taxa que serve de referência para a rentabilidade de aplicações financeiras, especialmente, as de renda fixa, pode buscar ativos com preços interessantes fora do Brasil. Quem não gosta de arriscar e tem um perfil mais conservador, pode optar por aumentar o prazo de investimento em renda fixa.

Impactos da pandemia sobre a poupança

Segundo informações publicadas pelo jornal O Estado de S. Paulo, em meio ao crescimento da pandemia no Brasil, a poupança teve captação recorde de R$ 30,5 bilhões no mês de abril. Trata-se do maior volume de depósitos líquidos em um único mês desde que a série foi iniciada, em 1995.

Outro dado verificado foi que abril foi o segundo mês consecutivo com registro de depósitos líquidos. Esse fenômeno já havia começado em março, quando as famílias depositaram R$ 12,1 bilhões líquidos na poupança.

Especialistas indicam que essa atitude se explica pela busca das famílias por alguma segurança, a partir de mais reservas financeiras, em meio à pandemia. Contudo, esse fenômeno é visto com um olhar crítico por analistas, já que dinheiro em poupança significa menos consumo e menos capital em circulação, o que pode trazer mais dificuldades às empresas brasileiras.

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